A votação foi apertada: 52 a 48, com cinco republicanos cruzando a linha partidária para apoiar o projeto. O gesto, raro, mostra que há fissuras internas mesmo entre os aliados de Trump. Ainda assim, o entusiasmo deve durar pouco. A proposta agora segue para a Câmara dos Deputados, onde a maioria republicana é fortemente alinhada ao ex-presidente e deve barrar o avanço da medida.
A iniciativa é a primeira de três que o Senado pretende votar nesta semana sobre tarifas comerciais. Enquanto isso, Trump está em uma turnê de cinco dias pela Ásia, com passagens pela Malásia, Japão e Coreia do Sul — e um aguardado encontro com o presidente chinês Xi Jinping, marcado para quinta-feira. A viagem, segundo analistas, busca reforçar sua imagem de liderança global justamente no momento em que o Senado desafia parte de seu legado econômico.
Os democratas aproveitam o embalo e voltam a criticar Trump por ter usado “emergências fabricadas” para justificar tarifas e medidas protecionistas. O partido promete novas investidas para reverter as políticas comerciais do ex-presidente — embora o histórico recente mostre que tais tentativas costumam morrer na Câmara. Em abril, por exemplo, o Senado aprovou o fim das tarifas contra o Canadá, mas a proposta foi engavetada antes de avançar.
Do lado brasileiro, a reação é de cautela. Autoridades lembram que, ao longo de 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit comercial de mais de US$ 400 bilhões com o Brasil — o que torna a acusação de Trump, de que o país representaria uma ameaça à segurança e à economia americana, no mínimo contraditória. O decreto do republicano ainda acusava o governo brasileiro de “perseguição política” a Bolsonaro, argumento que soou mais político do que econômico.
A disputa em Washington deixa claro que, mesmo com Trump fora do poder, suas políticas e seu estilo continuam a pautar o Congresso americano. E o Brasil, mais uma vez, acaba sendo peça nesse tabuleiro de disputas internas dos EUA.
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